terça-feira, 23 de abril de 2013

Um sentido sem conto

Postado por Mikaela Gonçalves às 15:17

  Escutando uma mídia qualquer numa noite quente de inverno. Sem vento, sem movimento, vida estagnada. Ainda consigo escutar aquela musica daquela estrela pop que você odeia, mas bem baixinho, talvez esteja tocando só na minha cabeça. Estou imaginando duas coisas deitada nesse chão gelado: o que farei se você não vier e o que farei se você vier.
  Senti ironia quando a súbita corrente de ar entrou pela janela e tocou meu rosto. Quinto andar. Se eu pular serei a depressiva do condomínio, todos vão lembrar de mim escutando My immortal e não serei enterrada em solo sagrado. Se eu não pular continuarei sendo a depressiva do condomínio mas estarei viva. Eu nunca pularia, só para constar. Eu não sou depressiva, só para constar. As pessoas me julgam, só para constar.
  Sinto fome e sono - como sempre. Também sinto um pouco de solidão, mas não quero confessar. Para uma mãe, uma garota de 16 anos com um pouco de solidão pode significar duas coisas: depressão level hard ou drama. No meu caso é drama, mas minha mãe ligaria imediatamente para um psiquiatra.
  Pico de luz. Minha sensação de inferno acaba de se tornar 3D, ou talvez nenhum D. Escuro, quente, triste. Não tem nenhum D nessas palavras.
  De volta para o futuro. A luz volta ligeira, bem que o frio podia voltar também. Algum surdo liga a TV da sala no volume estoura-tímpanos. Novela, ótimo. Pior do que perder a audição é perder a audição com programação ruim.
  Resolvo dormir mas você chega. Pensando bem, quinto andar não é tão alto assim. Talvez eu possa fugir.

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