quarta-feira, 5 de junho de 2013

Uma síndrome qualquer chamada eu

Postado por Mikaela Gonçalves às 13:05

E aí você se olha no espelho e não se identifica mais. Ainda é você naquele reflexo, mas é como se houvesse algo errado e você não soubesse o que. Tipo quando abre a geladeira e não sabe o que veio fazer ali, entende?
 - Talvez o espelho esteja ao contrário - você pensa consigo mesma. Mas as leis não permitem um espelho ao contrário, talvez seja melhor você esconder esse reflexo em algum lugar antes que o confisquem...não, melhor! Crie um outro reflexo e então emoldure esse em um lugarzinho para você lembrar, que tal na mente? Ouvi dizer que ela sabe guardar segredos.
Emoldurado. Coberto. Guardado. E então você se olha no espelho e vê um zero tão redondo que é praticamente transparente, na verdade, mais parece um vácuo. Você percebe que vai ter de começar do zero - achou que isso nunca ia acontecer não é? Você não sabe montar um reflexo e muito menos tem noção por onde começar, não se encontram reflexos em árvores e nem nas lojas do seu shopping favorito.
Então você tenta de tudo e fracassa, você esquece. Acaba se acostumando a viver como uma vampira, sem se ver no espelho, sem sair em fotos, o mais difícil mesmo é se maquiar mas até nisso você está se tornando esplêndida. De vez em quando você pensa nos benefícios, tipo não ser marcada naquela foto horrível com as amigas, mas admite para si mesma que sente falta. Você sai como nunca saiu antes, se sente tão diferente, quase sente um novo reflexo nascendo em você. Beija 1, 2, 3 vampiros como você na balada, um deles era o Damon e todas as suas amigas normais sentem inveja. Elas gostariam muito de postar a sua pior foto da festa na rede social - mas elas não podem lembra? Você gargalha como nunca gargalhou antes, se engasga de rir. Você dança até seus pés se acabarem e até o último segundo da última musica tocar. Chega em casa morta e se assusta com a menina decidida que encontra de pé, em frente a você. Você se entreolham por alguns instantes e então você sorri e vê o sorriso lindo que ela tem. E aí você se olha no espelho e, depois de tempos, se identifica. E dessa vez não há nada de errado e você se lembra de que abriu a geladeira porque estava com fome.

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